Caraterização

Valores indicativos com base em fontes oficiais e estimativas locais.

Dados de referência

Nome oficial:
União das Freguesias de Canelas e Espiunca
Município
Arouca
População (2021)
1 064 habitantes
Distrito:
Aveiro
Área aproximada
35,73 km²
Região:
Norte
Densidade populacional
29,8 hab/km²
Gentílico
Canelense
Espiunquense
Enquadramento
Freguesia rural do concelho de Sever do Vouga, integrada no vale do Vouga.
Estes dados têm carácter informativo e não dispensam a consulta de fontes oficiais atualizadas.

Mais Informações sobre a União de Freguesias

Actividades Económicas do Passado e do Presente

Até meados do séc. III d.c., por cá exerceram forte actividade mineira os Romanos, na exploração de metais preciosos (ouro), sendo inúmeros os vestígios das suas escavações.

No século XII Canelas era sitada em documentos como "Vila agrária de Canellas" , desde essa época e até à duas décadas atrás, terá sido essa actividade agrícola a mais importante da freguesia, sendo no entanto uma agricultura de subsistência, condicionada pela pequena dimensão das suas terras.

O centeio e o milho eram a base da alimentação dos quais se fazia o pão que muitas vezes sozinho matava a fome a qualquer um.

As Lousas...

Exploração das Lousas

As lousas, que foram descobertas no ano de 1820, por Manuel da Costa da Casa do Cancêlo, foram desde então exploradas artesanalmente por várias gerações até aos nossos dias.

Diz-se que nos tempos mais antigos as louseiras eram exploradas por qualquer pessoa, em virtude de se situarem em terrenos maninhos.Na década de vinte já neste século, nasce uma sociedade formada por irmãos, "Os Valérios" que monopolizaram a exploração das lousas, por possuirem propriedades onde estas se situam.
 
Pela primeira vez o Irmão Joaquim Valério faz contabilidade escrita sobre as produções, preços e destinos das lousas. Na década de sessenta as louseiras são alugadas à Companhia Exportadora de Lousas de Valongo, que após várias tentativas de exploração subterrânea as deixa por terem adquirido novos terrenos em Valongo. Estas passaram então por um periodo de inactividade que se prolongou até ao fim da década de oitenta. Sendo reactivadas em 1988 com um curso de louseiros e técnicas tradicionais. Em 1989 é criada a empresa "Ardósias Valério & Figueiredo, Lda", qua até à actualidade e em ritmo de progresso se vêm afirmando no mercado Nacional e Internacional, com os seus produtos de Ardódia natural clivada. Os seus produtos podem ser encontrados nos seguintes Países: Alemanha, Inglaterra, Suécia, Holanda, Bélgica, França, Espanha e Japão. Pode-se dizer que as lousas são hoje a maior industria da freguesia empregando só mão de obra local, contribuindo também para a manutenção dos telhados tradicionais,e oferecendo outros novos produtos.

O minério...

Mina do PereiroTeve também grande relevo a partir do início deste século a exploração do volfrâmio na zona do " Cabeço do Pereiro " e que teve o seu apogeu na época das duas grandes guerras Mundiais. Entrando depois em decadência na década de cinquenta, provocou falsas fortunas e destroçou muitos lares.
 
Os mineiros morriam após alguns anos de intenso trabalho no interior das minas, vitimados pela terrível doença da celicose. Quando acaba o volfrâmio iniciam-se as plantações dos eucaliptos, que é sem duvida hoje uma grande fonte de rendimento para todos quantos possuem terrenos florestados.

Contestados por uns, louvados por outros, os eucaliptos são a maior riqueza de todo o Concelho de Arouca.

A Agricultura...

O linho era cultivado em grande escala por quase todas as principais casas, sabe-se que para além de satisfazer as próprias necessidades também era vendido para outras terras, sendo fonte de divisas.

O azeite e o vinho também se cultivavam para as necessidades, o vinho que excedia o consumo local era vendido para outros locais. A castanha em épocas passadas também era muito importante para a alimentação, e como tal os soutos proliferavam em zonas privilegiadas.
 
O gado foi até meados deste século o grande aliado deste povo. Os bois de raça Arouquesa, para além de óptima carne e do leite, eram a única força de tracção utilizada para os mais variados fins.

O gado bovino, ovelhas e cabras existiram também formando grandes rebanhos que percorriam os montes em busca de alimento, as principais casas possuíam o seu rebanho, que para além da carne forneciam a lã, tão preciosa nesses tempos para o fabrico de vestuário.Também chegaram aos nossos dias relatos de forte actividade de produção de carvão vegetal, que era transportado em carros de bois até ao Castelo, na margem do Rio Douro e daí seguia de barco para o Porto.

As Árvores

São sem duvida uma riqueza conquistada a partir da década de cinquenta, a cultura intensiva de eucaliptos e a produção de madeiras destinadas às celuloses.Esta cultura foi-se sobrepondo à tradicional floresta de castanheiros, carvalhos e pinheiros, que ocupavam as zonas mais favoráveis. O eucalipto instalou-se em zonas que antes só produziam matos e hoje as madeiras que saem diariamente desses locais são grande fonte de rendimento para todos quantos possuam um bocado de terra.

Gastronomia

Gastronomia de outros tempos...
Receitas recolhidas por alunos do jardim de infância e escolas do 1º ciclo de canelas, no ambito de um trabalho elaborado pela associação de pais 2002/2006

BACALHAU À LAGAREIRO

SUBTITULO
BATATAS A MURRO 1 Kg. de batata pequenina
4 Postas de bacalhau
6 Dentes de alho picados miudinhos
1 Cebola picada 1,5 dI de azeite
Salsa, sal e vinagre de vinho tinto qb

Coloca-se as batatas com a pele depois de devidamente bem lavadas, num tabuleiro para ir ao forno de lenha a assar ou então assadas na cinza da fornalha de aquecimento a água para fazer o azeite. Grelha-se o bacalhau depois de devidamente bem demolhado. Numa tigela faz-se um molho com vinagre, sal, salsa e azeite, onde se junta cebola e alho. Numa púcara de barro deita-se as batatas e rega-se com o molho, ocasionalmente se com o bacalhau regado com azeite a gosto e salada.

ROLÃO

Sara Sacur - 4° ano ROLÃO
  
1 kg. de ralão (milho traçado)
150 grs. de feijão branco ou moleira
3 Postas de bacalhau ou carnes variadas de porco (costelas, ossos da suã, meio, chouriço, tripas e bucho)
1 Cebola
4 Dentes de alho
Vinagre de vinho q.b.

Põe-se o bacalhau ou as carnes a cozer com o feijão. Depois das carnes ou o bacalhau estar cozido são retiradas e coloca-se o rolão a cozer. Faz-se um estrugido com cebola, alho salsa e vinagre, que se junta ao ralão. Serve-se com o bacalhau ou as carnes. Serve-se o rolão ao almoço ou até à merenda antes de ir para a sacha do milho.

ÁGUA D' UNTO

Diana Monteiro - 2º ano e Victor Emanuel e Afonso Henrique - Jardim-de-infância
2 Litros de água
2 Colheres de sopa de unto de porco
1 Cebola
Uma pitada de sal

A quando da matança do porco, faz-se com o unto e umas pitadas de sal, um rolo que colocava ao fomo. Coloca-se a água a ferver, com a cebola e o unto depois de devidamente ralado com sal e uma colher. Em seguida serve-se com broa de milho ou trigo.

FEIJÃO FRADINHO, BATATA, GRELOS, SARDINHA SALGADAS.

Artur Jorge - 4° ano
4 Batatas descascadas;
250 grs. de feijão fradinho
Grelos cortada pequenina q.b.;
6 Sardinhas salgadas;
sal q.b.

Coze-se o feijão com as batatas e os grelos e tempera-se de sal a gosto. Assam-se ou cozem-se as sardinhas depois de estarem vários dias no sal. Colocam-se num prato e regam-se com azeite. Está pronto a servir acompanhado de um bom azeite da terra e com bolo (de milho) quentinho a sair do forno.

ALETRIA

Sérgio Miguel - 2° ano
1 Osso de porco para cozer
1,5 Litro de água de cozer o osso
250 grs. de aletria
10 Colheres de açúcar
Uma pitada de canela

Numa panela põe-se a água com o açúcar, a canela e a aletria. Quando estiver cozida põe-se numa travessa e enfeita-se com canela.

COZIDO À PORTUGUESA

Joana Moreira - 4° ano
1 Chouriço de carne
1 Salpicão
1 morcela 1 kg de presunto curado
0.5 Cabeça de porco
0.5 Galinha velha
0.5 kg de costelas de porco com meio sal
2 Pencas da povoa
2 repolhos
4 nabos
4 Cenouras
8 Batatas

Coloca-se numa panela todas as carnes a cozer, mas não em demasia. Quando estas estiverem cozidas retiram-se e põe-se as hortaliças, as cenouras e as batatas a cozer. De seguida serve-se com arroz branco.

FEIJÃO BRANCO E PRESUNTO

Rui Pedro - 4° ano
0,5 Kg. de feijão branco
300 gr. de presunto salgado e defumado
1 Cebola
Sal q.b.
250 Grs. de broa

Demolha-se o feijão e põe-se a cozer. Quando o feijão estiver cozido coloca-se numa travessa, deita-se a cebola picada miudinha e rega-se com azeite. Corta-se o presunto em fatias e coloca-se nos bordos da travessa. Serve-se com broa.

PAPAS DE SARRABULHO

Rita Dias - 2° ano
500 grs. de farinha de milho
1 Copo de sangue de porco
1 Chouriça de sangue
2 Rojões
1/2 Galinha
1 Fígado

Coze-se o figado numa panela com um pouco de água. Depois de cozer o figado, retira-se para um prato e na água coze-se a galinha. Depois desta estar cozida, tira-se para um prato e parte- se em pedacinhos, assim como à chouriça e aos rojões. Junta-se à água este preparado e mexe-se tudo muito bem. Retira-se do lume a panela e pouco a pouco vai-se juntar a farinha sempre a mexer para impedir a formação de grumos. Serve-se num prato ou tigela co tiras ou meias luas de figado.

OVELHA NO FORNO

Fernando - 3° ano
Tempera-se a ovelha com sal, vinho, louro, muita cebola e muito alho. Estufar os miúdos do animal e mete-los dentro da barriga do mesmo. Rechear por fora a ovelha com pedacinhos de toucinho espetando-os na carne com uma faca. Levar ao forno de lenha depois de devidamente aquecido. Numa assadeira grande, acompanhada de batatinhas, e um alguidar de arroz sequinho. Deve estar no forno pelo menos lh e 30m (dependendo do forno). Quando abrir deve ser virado e regado. Em seguida pode ir mais algum tempo dependendo se a carne está tenra ou não. Serve-se ao almoço em dias de festa, baptizado ou casamento, o que sobra era enrolado num pano e metido dentro da salgadeira em local fresco.

CÔDEAS DE PÃO

Victor Emanuel e Afonso Henrique Jardim-de-infância
300 grs. de côdeas de pão duro
Sardinha assada Sopa (feijão, batata e os legumes da época)

Faz-se a sopa e quando está pronta para servir, põe-se côdeas de pão numa tigela e regam-se com água da sopa. Quando estiverem bem demolhadas regam-se com vinho e servem-se com sardinhas e a sopa.

MIGAS DE VINHO TINTO

Daniela Beatriz - 3°
1 Tigela de vinho tinto da terra;
3 Colheres de sopa de mel ou açúcar amarelo
1 Fatia de broa migada

Deita-se numa tigela a broa o mel e o vinho. É só comer. Serve-se à merenda antes de ir para a sacha, arrenda.

SALADA DE BACALHAU COM CEBOLA

Sérgio - 2° ano
2 Postas de bacalhau grosso salgado ou demolhado;
1 Cebola grande ou 2 médias 250 gr de azeitonas curtidas azeite e vinagre de vinho tinto q.b.;
Fatias de broa.

Fiapa-se o bacalhau e corta-se a cebola em fatias muito finas para uma travessa, tempera-se com o azeite e o vinagre. Enfeita- se com as azeitonas e as fatias de pão, servindo-se de seguida No final com o molho que fica no fundo da travessa pode-se deitar miolo de broa, misturar e comer-se as migas de seguida.

PAPAS À MODA ANTIGA

Miguel Ângelo - Jardim-de-infância
4 Litros de água 250 grs de adubo de porco
Uma mão cheia de feijão moleiro
Couves-galegas cortadas miudinhas - q.b. Sal, vinho tinto q.b.
Azeite

Coloca-se numa panela de ferro de três pernas ao lume, dentro desta coloca-se a água, o adubo, o feijão e mais tarde as couves. Quando tudo estiver cozido, tira-se a panela do lume e começa-se a mexer a farinha. Quando esta estiver bem desfeita torna-se a colocar a panela ao lume para acabar de cozer. Depois deita-se um bocadinho de vinho tinto e azeite e está pronto para cozer.

FILHÓS À MODA DO MOREIRA

João e Daniela - Jardim-de-infância
Água
Sal q.b.
Farinha de centeio Crescente (massa se fazer a broa)
Açúcar e canela q.b.

Ferve-se a água com o sal, junta-se o crescente. Coloca-se a farinha de centeio numa caçarola, abre-se um cavidade ao centro, onde se deita a água com o sal e o crescente. Mistura-se muito bem com as mãos e deixa-se a levedar durante uma hora. Numa sertã ou frigideira com óleo (antigamente com azeite) bem quente deitam-se com uma colher bolinhas de massa ficando bolinhos redondos e espalmados. Numa travessa põe-se as filhós em camadas polvilhadas com açúcar e canela.

PAPAS DE SARRABULHO À MODA ANTIGA

João e Daniela - Jardim-de-infância
3 Litros de água de cozer as chouriças de sangue 0,5 Litro. De água de cozer o figado
1 Molho de nabiças ou grelos
Sal, alho q.b.
Farinha de milho para engrossar a gosto.

Coloca-se a água numa panela ao lume onde se deita as nabiças, o alho e o sal. Em seguida junta-se a farinha pouco a pouco para não ficar muito grossa e deixa-se cozer servindo-se em seguida.

BATATA COZIDA COM COUVES, FEIJÃO E SARDINHA SALGADAS OU COZIDAS

Susana Vieira - 3º ano
4 Batatas descascadas;
250 grs. de feijão branco de preferência demolhado;
couve galega cortada pequenina q.b.;
6 Sardinhas salgadas;
sal q.b.

Coze-se o feijão com as batatas e as couves e tempera-se de sal gosto. Assam-se ou cozem-se as sardinhas depois de estarem vários dias no sal. Colocam-se num prato e regam-se com azeite. Está pronto a servir acompanhado de um bom azeite da terra. Daniela - 1º ano TOSTAS DE VINHO 1 Carcaça de pão de trigo 1 Litro de vinho 300grs de açúcar amarelo Açúcar e canela para polvilhar Torra-se o pão nas brasas depois de cortado ás fatias Numa tigela deita-se o vinho com o açúcar, onde se molha o pão, que vai ser colocado num prato polvilhado com açúcar e canela.

ARTESANATO...

Sara Sacur - 4° ano
Na freguesia de Canelas ainda existem pessoas que fazem da sua vida a produção artesanal. Nesta freguesia encontram-se pessoas que produzem em teares artesanais, Passadeiras e mantas tecidas em linho e algodão. Mais recentemente apareceu na freguesia uma nova actividade artesanal que é a produção de ardósia lavrada e esculpida. FESTAS E ROMARIAS... São Miguel Padroeiro - 1º domingo de Outubro Igreja Matriz Senhora dos Anjos - 1º domingo de Agosto Capela dos Anjos
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